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quinta-feira, 16 de junho de 2011


Numa aldeia vietnamita, um orfanato dirigido por um grupo de missionários foi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, uma menina de oito anos, considerada em pior estado. Era necessário chamar ajuda por um rádio. Ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da Marinha dos EUA chegaram ao local. Teriam que agir rapidamente, senão a menina morreria, devido aos traumatismos e à perda de sangue. Era urgente fazer uma transfusão, mas como? Após alguns testes rápidos, puderam perceber que ninguém ali possuía o sangue preciso. Reuniram as crianças e, entre gesticulações, arranhadas no idioma, tentavam explicar o que estava acontecer e que precisariam de um voluntário para doar o sangue. Depois de um silêncio sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente. Era um menino chamado Heng. Ele foi preparado às pressas, ao lado da menina agonizante, e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele mantinha-se quietinho e com o olhar fixo no teto. Passado algum momento, ele deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico perguntou-lhe se estava a doer, e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou a perguntar, e novamente ele negou. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso, mas ininterrupto. Era evidente que alguma coisa estava errada. Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. O médico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecer com Heng. Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele explicando-lhe algumas coisas, e o rostinho do menino foi-se aliviando. Minutos depois ele estava novamente tranquilo. A enfermeira então explicou aos americanos: - Ele pensou que ia morrer, não tinha entendido o que vocês disseram e achava que ia ter que dar todo o seu sangue para a menina não morrer. O médico aproximou-se dele e, com a ajuda da enfermeira e perguntou: - Mas, se era assim, porque é que você se ofereceu a doar seu sangue? E o menino respondeu, simplesmente: - ELA É MINHA AMIGA

Um comentário:

jose vitor lemes disse...

O coração por menor que seja em relação ao corpo, numa hora estratégica assume domínio, faz agir o sentimento, e se preciso… para diante da própria necessidade pessoal, e entrega-se sem temer o bem ou o mal… Não nego… este menino teve a palavra doce, ação nobre, e uma amiga para sempre.
bjs