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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sinto-me livre para fracassar (Hilda Hilst)

Resolvi que irei me meter em tudo. De novo. Resolvi que o amor é uma barata nojenta, e, se eu quiser, eu piso e ouço o clac e ainda deliro de prazer. Se eu quiser, eu salto, eu piro, atiro os copos. Se eu quiser, danço sobre meus próprios pedaços. Resolvi aceitar que nunca me faltou malucos e malucas. Resolvi que, se eu quiser, meto o pé na estrada. E se eu quiser beber e não tiver grana, arrumo quem pague. Adeus. É maio. Dia desses vou contar para vocês como um maio pode enlouquecer alguém. Ou não, pois quem sabe eu resolva parar de escrever e livre todos dessa minha loucura.  Mas se eu quiser também, invento um milhão de histórias. Desce mais vodca, sinto que posso construir o que eu bem entender com tudo isso que (não) aconteceu.

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